segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Actividades Realizadas em 2012
Por ordem cronológica:
29 a 30 de Dezembro - Fim-de-Ano em Sanábria - Cañon del Cardenas, Vega do Conde e Cascata de Sotillo
16 de Dezembro - Lousã - Na Pégada do Veado (take 2)
1 de Dezembro - Covilhã - Invernal à Torre da Serra da Estrela
18 de Novembro - Peneda - Em Busca do Vale Encantado do Ramiscal
21 de Outubro - Penafiel - Trilho dos Moinhos pelo Museu da Broa
20 de Outubro - Penafiel - Calcorreando no Trilho dos Moinhos do Rio Mau
22 de Setembro - Gerês - Calcorreando à Cascata Dupla da Teixeira e Corga da Giesteira
9 de Setembro - Águeda - Calcorreando pelo PR1 na Pateira de Fermentelos
4 de Agosto - Festival Intercéltico de Sendim - Ruta de Ls Celtas
22 de Julho - Penafiel/Paredes - Calcorreando às Minas das Banjas
21 de Julho - Penafiel - Calcorreando ao Castro do Monte Mosinho
8 de Julho - Peneda-Castro Laboreiro - Calcorreando da Ameijoeira à Pena de Anamão
23 e 24 de Junho - Gerês - Pitões, Fte Fria, Nevosa, Cornos Candela, S. João Fraga (Autonomia)
10 a 16 de Maio - Sicília - Vulcano, Stromboli e Etna - nos Vulcões com o C-Land-Destino
28 de Abril - Cordilheira Cantábrica - Ascenção da Peña Ubiña (2.417m)
14 de Abril - Penafiel - Calcorreando por Moinhos e Penedos
30 de Março a 1 de Abril - Pedalando do Porto a Compostela, pelos caminhos de Santiago
18 de Março - Galiza - por Monteferro, Trilho de Couso e Moinhos do Folon e Picon
19 de Fevereiro - Santo Tirso - do Monte Padrão à Citânia de Sanfins e Nascente Rio Leça
18 de Fevereiro - Serra Amarela - Calcorreando pelo Trilho das Casarotas à Louriça
5 de Fevereiro - Serra da Peneda - Calcorreando o Glaciar e Alto Vez
19 a 22 de Janeiro - Tenerife - Pico Teide (3.718m) com início na praia à Cota Zero
7 de Janeiro - Serra do Gerês - Calcorreando da Vila ao Borrageiro
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
TEIDE 0-4, Anatomia de uma Aventura
Naquela 5ª feira, 19 de Janeiro de 2012, o Calcorreando meteu pés
ao caminho, ou melhor dizendo, asas, já que usamos o avião para dar um pulinho
àquela ilha Africana do arquipélago das Canárias que dá pelo nome de Tenerife
(“Tene” significava “montanha” e “ife” branca, já o “r” foi adicionado pelos
Espanhóis).
A ideia (que tinha sido ventilada há já uns tempitos atrás
pelo Carlos Rodrigues) era a de se fazer uma ascensão “à homem”, ou seja, subir
o Teide, que tem qualquer coisa como 3.718m de altitude, partindo da praia,
algo como ir da cota 0 à cota 3.718… e numa só etapa ;-)
Inicialmente pensei que não iria conseguir juntar muitos
interessados em partir para esta aventura, ainda para mais que eu estava
limitado na minha disponibilidade e o Carlos não tinha disponibilidade, para o
fazer nesta altura. Mas estava errado e, para além do Manuel António,
montanheiro que me acompanhou ao Almanzor, logo apareceram mais 5 amigos que desde
o jantar no Talasnal, na última caminhada na Serra da Lousã, ficaram com a
pulga atrás da orelha e não resistiram à possibilidade de virem experimentar a
sensação de estar no pico deste vulcão!
Como é obvio, para uma etapa com quase 4000m de desnível, é
necessário estar bem, física e mentalmente, já que se por um lado será
despendido um grande esforço físico para vencer a distância e altitude, por
outro é necessária uma boa dose de mentalização que nos ajude a realizar uma
boa parte da etapa em condições nocturnas e, por isso, com maior probabilidade
de incidentes, dadas as condições do local e localização do trilho, em grande
parte do trajecto fora de zonas de acesso público regular!
Por esse motivo e apesar da experiência de alguns dos amigos
que me iriam acompanhar, e também para não me deixar levar por um qualquer
impulsos de auto-confiança, optei por realizar dois testes, um em Valongo e
outro no Gerês, de modo a verificar como estávamos de capacidade física em
termos de velocidade e resistência! Se o primeiro treino, nos corta-fogos das
Serras de Santa Justa e Pias, se destinou a testar a nossa resistência a um
desnível acumulado feito com grandes pendentes, já o segundo treino, no Gerês,
entre a Vila e o Borrageiro, se destinou a evidenciar aos participantes as
dificuldades que poderiam sentir quer fisicamente, já que a pendente média
estaria acima da realizada, quer mentalmente, já que teriam de percorrer com
aquele nível de dificuldade uma distância muito superior…
Apesar de não ter podido realizar uma aferição no primeiro
treino, já que a época natalícia condicionou a participação, foi possível no
trilho do Gerês chegar-se à conclusão, creio que por unanimidade que, à data,
só dois estariam em condições físicas de realizar o percurso nestas condições e
no tempo que seria exigível, ou seja, num máximo de 16h de modo a alcançar o
pico até ao pôr-do-sol, para quem saísse da praia, sendo que os restantes
fariam a aproximação pelo Trilho da Montanha Branca.
Assim que estes preceitos foram definidos fizeram-se os
últimos acertos no programa, definiram-se estratégias e reuniram-se os
“Teidistas”, em casa da Lúcia, para o “estágio” final de preparação ;-)
Chegando à data de partida as ansiedades multiplicam-se já
que o tempo disponível, quer para a realização do trajecto, quer para a estadia
no local, estava bastante limitado e por isso era grande a vontade de que tudo
corresse pelo melhor e que houvesse o menor número possível de incidentes! De
qualquer modo à hora de partida lá estavam, o Francisco, a Lúcia, o Manuel
Antº, a Marília, a Mariana e a Sofia, todos prontos, no aeroporto e com tudo em
ordem… isto depois de umas transferências de malas abertas, algo que é corrente
ver-se nas filas de check-in da Ryanair :-D
O avião, que sabia da nossa preocupação em chegar ao destino
o quanto antes, até que se portou bem e chegou antes da hora prevista, já a
tramitação na empresa de rent-a-car, jantar e viagem até ao outro lado da ilha,
foi bem mais demorada, o que acabou por atrasar um pouco a chegada ao ponto de
início e consequentemente a hora de partida!
Estávamos já no dia 20 de Janeiro de 2012 quando chegamos à
Praia do Socorro, um local no lado norte (noroeste) da ilha, a poucos quilómetros
da cidade de Puerto de la Cruz.
Entre os que se equipavam e os que não se equipavam, lá se
iam fazendo as despedidas de boa sorte e tirando as fotos da praxe, de quem
molha ali o seu pezinho, ou melhor, a botarrona! Ali ficaria o grupo separado,
entre os que abalavam monte arriba e os que seguiriam prá cidade pra descansar
umas horitas antes de, também eles, partirem rumo ao local de início do outro
trilho!!! No entanto este descanso ficaria um pouco comprometido já que entre
saltos na água e fotos de pé molhado a chave do “coche” resolveu ir tomar banho
e foi preciso uma onda de sorte prá recuperar :D mas isso foi coisa que os dois
aventureiros só souberam no dia seguinte pois a sua marcha rumo ao cume já
havia iniciado ;-)
Eram cerca de 1h30m em Tenerife (e também em Portugal)
quando saímos da areia da praia e começamos a nossa ascensão.
Desde início que o trilho apresenta uma acentuada pendente,
muito embora nesta fase facilitada pelo facto de se fazer no alcatrão, ainda
que por pouco tempo. À medida que se subia e víamos as luzes da estrada ficarem
para baixo, sentia que estávamos a subir bem e rápido, já a visão das luzes lá
no alto a indicar a presença de algumas casas numa cota bastante superior, não
indiciava nenhuma redução da pendente, pelo menos até lá chegarmos.
Algo que me preocupara nos últimos dias, logo me assaltou
neste inicio de etapa, o Calima, um vento que traz partículas de areia do
Sahara e que já constava nas previsões meteorológicas. Isto porque mal
começámos a subida a partir da estrada principal e já na escuridão dos caminhos
que seguíamos era bem visível a enorme quantidade de partículas que a luz do
frontal interceptava, as quais também, pouco depois, se sentiam já na
respiração obrigando-nos a optar pela inspiração nasal, o que não é o mais
confortável quando se está com passo rápido ;-)
Depois de uma parte inicial por caminhos empedrados, que
faziam a ligação entre as povoações, e depois de sairmos de El Lance, já perto
da cota dos 700m, entramos numa zona de trilho em terra batida, sem que, no
entanto, a inclinação se tivesse reduzido, tendo mesmo aumentado nalguns
troços! Um pouco mais à frente, além de inclinado, o trilho apresentava-se
enlameado o que dificultava ainda mais a progressão. Foi precisamente numa
destas rampas que, apoiando mal a bota, esta me escorregou uns bons 20cms a
mais do que o desejável, para me dar um esticãozito num músculo qualquer, ali
para os lados da virilha esquerda, que me ficaria a doer durante uma grande
parte da ascensão, e que também me obrigou a reduzir a velocidade!
Nesta parte da etapa, totalmente nocturna e sem lua, em que
só víamos o que o frontal nos deixasse ver, caminhávamos tanto por estradão
como por trilhos no meio da vegetação, mas sempre com grande pendente que não
nos deixava relaxar certos músculos. No meio desta escuridão só de tempos a
tempos assomávamos a locais com menos vegetação, ou com uma qualquer clareira à
esquerda, onde conseguíamos contemplar a encosta da Orotava e, aí sim, ver
todas as luzes do vale que demarcavam estradas e acesso a urbanizações e casas
isoladas!
Seria por perto da cota dos 1.000m que se encontraria a
única fonte de toda a etapa do trajecto praia-pico, a Fuente de Pedro, mas a
fonte (se a fonte era aquele tubo de pvc junto ao solo, partido em várias
zonas) não nos inspirou grande confiança e decidimos contar apenas com a água
que transportávamos connosco.
Os quilómetros iam ficando para trás, mas esta etapa estava
ainda no início, as horas passavam, mas o nosso ritmo era bom e rapidamente
conseguimos recuperar e alcançar os pontos de passagem (que havia definido numa
simulação feita em casa), com tempos inferiores aos equivalentes a uma eventual
saída, da praia, antes da 1h00. Por isso, e apesar de algumas dores em certos
músculos das pernas que começavam a surgir muito por culpa da constante
pendente elevada dos trilhos e do ritmo impresso desde o arranque,
continuávamos bastante confiantes!
A lua só nos apareceu, por entre as arvores, por volta da
cota dos 1.800m, mas logo deu para motivo de fotos e de conversa. Nesta altura,
e apesar dos cerca de 15kms já calcorreados, a pendente continuava forte. Este
facto desgastava-nos um pouco... olhávamos em frente e, derivado da escuridão,
sentíamos a ausência de céu estrelado, até olharmos bem para cima, o que
significava uma encosta bem prolongada ainda à nossa frente. Sabia que só por
volta da cota dos 2.000m é que chegaríamos a uma zona de plataforma que nos
permitiria descansar um pouco, no entanto, sentíamo-nos em forma e com força
suficiente para continuar com aquele ritmo, bastando-me controlar a velocidade
de modo a que a dor da virilha e as dores das pernas se mantivessem suaves e
estáveis.
Nestas altitudes o trilho apresentou-se-nos com mais algumas
dificuldade, por um lado, o pó, que por aqui era tanto que não sei se o que
andava no ar seria do Calima, do chão (levantado pelo vento), ou de ambos! Por
outro lado, também o frio era muito! Tirando a parte inicial em que as
temperaturas estiveram perto dos 20ºc (junto ao mar), a partir duma cota
próxima dos 400-600m, começamos a sentir arrefecimento sendo que por estas
altitudes já apanhámos frio, e bastante frio para um céu tão limpo e tão seco!
Provavelmente o facto de estarmos tão perto do mar e em Janeiro condicionasse a
sensação térmica, já que sentíamos mais frio aqui do que o que sentíramos em
Gredos (a uma cota superior e com queda de neve)!!!
Finalmente lá chegamos à cota dos 2.000m e, um pouco à
frente num pequeno desvio de alguns metros, paramos numa espécie de miradouro,
donde aproveitámos para contemplar, uma vez mais, a visão nocturna da ilha. A
contemplar mas não por muito tempo que quando parávamos... gelávamos! ;-)
Por aqui, ainda que subindo, a inclinação da pendente ia
decrescendo consideravelmente e cerca de um quilómetro mais adiante…
finalmente, a capela. Esta capela indicava-me que acabara a subida e que a
seguir teríamos uma inflexão de pendente, para além de indicar também que nos
encontrávamos perto da boca da enorme caldeira que molda a paisagem da ilha.
Estávamos a precisar de parar um bocado e como a única
hipótese era num local abrigado, decidi-me a “forçar” a abertura da porta
(pêrra pela falta de uso e, muito provavelmente, também pelo frio) da
pequeníssima capela para nos recolhermos lá dentro, sentados nuns baldes que
por lá deixaram ficar!
Eram cerca de 7h20, ou seja, cerca de 6h após a nossa saída
da praia - cota 0 – e estávamos nos 2.100m de altitude e a num ponto de
transição, quer na paisagem, quer nas condições da caminhada, uma vez que
faltava apenas cerca de meia hora para o nascer do dia! Decidimos, por isso,
fazer uma pausa maior, cerca de 20 minutos, de modo a sair daquele local já com
mais alguma luz, para se poder ver mais qualquer coisa e também para se poderem
tirar as primeiras fotos com o Teide, o qual já estava visível, mas ainda não
era fotografável ;-)
Finalmente uma experiência nova, descer em Tenerife! Tirando
aquela descida de alguns degraus para ir ao ponto de partida na praia, esta 1ª
parte da etapa é uma enorme e contínua subida!!! Só aqui ao entrar na caldeira
se encontra a primeira, e única, descida de todo o trajecto praia-pico. Estamos
também num ponto de cruzamento com os vários trilhos que ligam o Centro de
Visitantes e o Trilho da Montanha Branca, à designada “Fortaleza”, que não é
mais do que parte da antiga caldeira que não se desmoronou como aconteceu na
zona que hoje forma a encosta/vale da Orotava, e no limite do qual se fez toda a
ascensão anterior.
O dia começa a surgir e estamos já a caminhar no fundo da
caldeira quando os primeiros raios de sol começam a iluminar o pico do Teide!!!
Durante alguns momentos parámos para tirar umas fotos e filmar um pouco da invasão
de luz sobre o pico da montanha.
Continuamos a caminhar por entre uma vegetação rasteira e
muito parca, por onde se notava um manto branco mas muito dissimulado que
indicava que ali a noite fora mesmo fria. Procurámos um local mais aberto onde
já incidissem os raios solares para fazer uma nova paragem e observar a
envolvente, já que nos encontrávamos numa antiga e monumental caldeira com uma
“fortaleza” pelas costas e um pico de quase 2.000m pela frente!!!
Nesta pausa, já com aquecimento natural, aproveitámos para
tomar o pequeno-almoço, pois já estaria na hora dele, uma vez que já passaria
das 8h30! Mas algo não correu bem com este pequeno almoço, já que pouco tempo
depois, numa zona plana como a que vínhamos atravessando, com uma cota
ligeiramente superior aos 2.000m mas bastante inferior aos cerca de 2.100m de
cota da capela onde se concluíra a ascensão, comecei a sentir uma má disposição
num misto de tonturas e enjoo que me obrigou a reduzir o passo... passado pouco
tempo depois, a indisposição já era tanta que tive mesmo de parar! Nesta
altura, já o Manuel Antº ia bem à frente sem perceber se eu ficara para trás a
tirar fotos ou no wc, até que, passado algum tempo e estranhando tanta ausência,
veio atrás verificar o que se estava a passar!
Ali estava eu, parado, num estado de agonia, à espera que as
entranhas se me acalmassem um pouco, enquanto ia pensando no que poderia estar
a acontecer! Seria algo que comera?! Não estava a ver nada que pudesse fazer
aquele efeito, embora, entre a barra de cereais (que não havia experimentado
antes), a sande (de paté, queijo e fiambre que já era habitual no menu doutras
caminhadas) ou o sumo (dum novo concentrado de frutos vermelhos que também não
tinha experimentado antes), havia muitas suspeitas!!! Seria o mal das alturas?!
Também não descartava esta hipótese, muito embora o facto de a indisposição me
ter dado a uma cota de 2.000m precisamente após uma descida de altitude e com
baixo ritmo de progressão, me parecesse ser essa uma causa algo improvável...
De qualquer modo, a prudência levou-me a ingerir um anti-ácido e também uma
aspirina, para atacar a eventualidade, quer de um mal de estômago, quer um mal
de altitude, com as “balas” que tinha, anti-ácido para o primeiro e aspirina
para o segundo! Como não houve qualquer efeito imediato do anti-ácido, aumentou
a preocupação... mas havia que seguir, pois já estava parado há demasiado tempo
pró meu gosto!!! ;-)
A progressão seguia por terreno relativamente plano, mas
fazia-se de forma penosa, devido à indisposição! Era preciso caminhar… por
outro lado as pernas estavam bem, sem sinais de fadiga, as dores musculares
haviam desaparecido e mesmo a dor na virilha já mal se sentia! Por isso, a
caminhada prosseguiu, comigo mais ou menos enjoado, progredindo com lentidão e
intercalando-se mais paragens do que o inicialmente previsto!
Calcorreamos por paisagens de tufos de ervas, areias e rocha
vulcânica desagregada até que surgiram os primeiros “Ovos do Teide”, designação
que deram a umas negras rochas magmáticas que se espalharam no fundo da
caldeira do primitivo vulcão, numa das erupções posteriores à formação desta
gigantesca caldeira! Após nos depararmos com os primeiros exemplares destes
“ovos”, o trilho sobe um pouco mais, com uma pendente mais acentuada, para se
juntar, primeiro, ao trilho que vem do centro de visitantes, e depois, ao
trilho dito da montanha branca, o qual, deveria trazer ao nosso encontro os
amigos que deixáramos, há pouco mais de 8h, na praia do socorro e que deveriam
já estar a percorrer este trilho, o qual tem início num estacionamento
localizado nas proximidades do acesso inferior ao teleférico!
Altura para mais uma paragem, desta vez na presença de
outros montanheiros, ou seja gente, algo que já não víamos desde a nossa
partida, na praia! Tentámos, embora sem sucesso, o contacto via rádio, pois
eram cerca das 10h da manhã, precisamente a hora que indiquei ao outro grupo
como sendo a hora limite (a hora mais tarde) para darem início a este Trilho do
Monte Branco, de modo a conseguirem, de acordo com os meus cálculos, chegar ao
pico antes do pôr-do-sol. Ainda se tentou, mas também sem sucesso, o contacto
via telemóvel! Nesta situação, sem possibilidade de contacto, prosseguimos o
nosso caminho, sem saber se o outro grupo já tinha passado este ponto ou se
ainda vinha a caminho e se estavam longe ou perto de nós, já que o combinado
era que se os grupos não se conseguissem contactar, prosseguiriam
independentes!
Esta parte comum com os outros trilhos, em que agora prosseguíamos,
é feita num estradão bem largo, subindo, mas sem as pendentes dos primeiros
2000m.
Eu, lá ia, seguindo o Manuel Antº, conforme podia, com passo
reduzido pois sentia-me ainda muito angustiado! Na indisposição aproveitava
cada paragem para olhar em torno e recolher as imagens, daquela paisagem, da
imensa caldeira que deixávamos para trás assente num manto de nuvens, bem como
do imponente cone do vulcão que, ainda, tínhamos pela frente!
Um pouco mais adiante, aproximadamente na cota dos 2.700m,
atingimos por fim a base do Teide, ou seja, o local onde se ergue mais
abruptamente o cone do vulcão cujo pico nos aguardava, 1.000m mais acima!!!
Ora cá estávamos nós! Era agora o momento da verdade...
faltava a parte pior!!!
Estávamos nós com cerca de 20kms nas pernas, mais 2.700m nos
pulmões... e eu com uma indisposição como nao tinha memoria!!!... Só me
apeteceu dizer uma coisa: (Palavrão-Censurado!!!)
Naquela hora tinha a cabeça em turbilhão... deveria terminar
ali e desistir? Hipótese que passa e é logo afastada, tinha de estar mesmo
muito mal para isso acontecer!... deveria dizer ao Manuel Antº para seguir ao
seu ritmo e fazer o pico enquanto eu vejo se consigo chegar ao refugio? Como
ele ainda não tinha levantado qualquer problema e ainda havia muito tempo pela
frente, opto por ficar calado e deixar isso para depois!
Está na altura de prosseguir... come-se qualquer coisa, pois
temos pela frente 550m de ascensão ate ao refúgio... com menos de meio litro de
líquidos!... Telefone toca... era o Francisco a informar que ainda estavam a
começar a sua etapa!... Hummm, muito tarde! Seriam umas 11h15 e atendendo a que
alguns elementos do grupo não me pareciam na melhor forma... isto também não
augurava nada de bom!!!
Meto pés ao caminho com a sensação de que vou ter de me
arrastar até lá cima... um bocadinho de cada vez... faz-se os primeiros 100m
(em altura), é pouco mais que a altura da Ponte D. Luis, mas já só ficam a faltar
400m pró refúgio (nestas alturas é conveniente arredondar para baixo ;-).
Quando a indisposição aumenta, controla-se o ritmo e vê-se se já subimos mais
10 metritos... e se subimos 15m, ganha-se confiança... nada de elevar a fasquia
quando se está em dificuldades... entretanto o altímetro passa os 2.900m e já
só se pensa no objectivo de conseguir chegar aos 3.000m!!! Ver a base de
partida, deste tramo, ficar lá em baixo também anima... olhar para cima e não
ver vestígios de refúgio, é que não anima nada!... Queria dizer ao Manuel Antº
para fazer uma paragem na cota dos 3.000m, mas como ele entretanto saíra do meu
campo de visão, opto por fazer eu essa pausa, aproveitando para tirar umas
fotos e contemplar aquela vista de pássaro, agora já bem acima das nuvens!!!
De volta ao trilho pouco tempo depois (que isto de ir
devagar não admite paragens muito demoradas) mas já com a certeza de que pelo
menos ao refúgio consigo chegar! Muito embora soubesse que o objectivo não era
esse, e que a ideia era mesmo fazer o cume neste dia, os cerca de 700m ainda
por vencer, pareciam monstruosos naquelas condições... ainda por cima a simples
ideia de que pudesse ter de deixar o cume pró dia seguinte deixava-me... assim
como que... bastante irritado com a situação! ;-)
Um pouco depois da paragem dos 3.000m, toca o telefone! Era
o Manuel Antº que tinha chegado ao refúgio! Fiquei a saber que a antena que
estava a ver mais acima era uma referência da localização do refúgio, pelo que
já dava para ter a noção da sua proximidade... Apesar disso ainda demorei uns
looongos 20min a alcançá-lo!!!
Ter o altímetro nos 3.250m e ver aquela casinha ali, fica-se
logo com vontade de dar as ultimas passadas nem que seja num misto de fúria e
esforço... pousa-se a mochila com alívio e bebe-se o ultimo gole de agua como
que a antever uma barrigada reconfortante, ali dentro, com uma caminha ou pelo
menos um banquinho para deitar e esticar os músculos...
- Tá Fechado!!!... diz o Manuel Antº
- Como é que "Tá Fechado"?!!!... Mas que raio de
abrigo é este?!!!
Há que inspeccionar... ver o gradeamento... que não dá para
abrir!... Dizer uns palavrões, e tocar na campaínha, num misto de insulto a
algo indefinido com uma resignação do tipo "deixa lá ver se isto serve para
alguma coisa"... a verdade é que serviu, nem que fosse só para acordar o
guarda do refúgio que disse não perceber porque é que a grade exterior estava
fechada!
Finalmente conseguíamos entrar no refúgio! Mas nem por isso
as coisas ficavam facilitadas, pois assim que perguntei onde podia abastecer de
água, o guarda responde que ali não havia água!!! Mas, mas,... como é que
"Não Há Água", mas q raio de refúgio era aquele?!! pensei cá para
mim... isto não se faz ao meu pobre coraçãozinho, já o tinha feito subir mais de 3.000m duma assentada, não havia
necessidade de o provocar com notícias destas :-P
Vejamos, tecnicamente, o refugio estava fechado, sim, e só
abria às 17h... note-se que eu tinha chegado as 13h30 (e o Manuel Antº ainda
mais cedo). Ou seja, podia-se entrar para a zona de estar que tinha uns sofás e
umas máquinas de café e refrigerantes, mas não havia acesso a wcs's, dormitórios,
refeitório ou cozinha, em resumo, nada de torneiras! Única solução era beber
pagando... hummm cheira-me a comércio forçado!!!
Coca-cola de 33cl a 4€, água de 33cl a 3€ e café ou
chocolate quente em 20cl a 2€... não é agradável, nada mesmo! Então, vir para o
monte beber coca-cola, nem a brincar!... Pagar uma taxa de abastecimento d'água
de 10€/Lt é algo que ainda deve demorar a acontecer, embora já tivéssemos
estado mais longe desse dia!!... Por isso, optamos pelo chocolate quente que
traz sempre um certo elan, digamos que, alpino ;-) e deitamo-nos ao comprido
nos sofás que por agora, ainda são grátis!!!
Parámos por ali cerca de uma hora, o Manuel Antº parece que
ainda aproveitou grande parte do tempo, mas eu acho que só consegui desligar
durante uns 10 a 15minutos... não me sentia cansado mas a indisposição, ainda
que incomodasse menos, teimava em não ir embora... por isso, e tendo em conta
que poderia demorar bastante a percorrer o caminho em falta, tornava-se
importante meter pés ao caminho, já que o ritmo ia continuar lento!
Como eu já não tinha água, e nenhum de nos queria pagar a
"taxa" de abastecimento (é verdade… que dois forretas :-), o Manuel
Antº decidiu partilhar os 300ml que lhe restavam, para podemos “atacar” o próximo
objectivo, que era o de vencer o desnível de 300m que nos separava da estação
superior do teleférico, à cota de 3.550m!!!
Lá fomos devagarinho, continuando a subir com o mesmo
declive acentuado com que já subíramos desde a base do cone do Teide até ao
refúgio, sendo que, só já na parte final, deste novo troço, é que o declive
iria decrescer, para depois entrar numa zona de altos e baixos que vai desembocar
na dita estação de teleférico!
Mesmo que eu quisesse esconder, o meu ritmo não deixava
dúvidas acerca do que se passava cá dentro... e nesta altura já eu começava a
reparar que o meu parceiro de aventura, também começava a acusar algum cansaço!
E foi ali, por perto do meio deste tramo do percurso
(refúgio-teleférico), quando pouco passava das três da tarde, que recebemos
noticias de alguém que vinha no outro grupo... era a Marília que por sms nos
dava conta de que já chegara ao refúgio! Dizia ainda que estava bem e que ia
continuar a subir, ao que eu retorqui que viesse que não tardaria em apanhar-me
(estava a ser sarcástico comigo próprio, já que ela não podia perceber que o
motivo era a baixa velocidade da nossa progressão e não a eventualidade de estarmos
perto dela ;-). Isto enquanto estávamos nós em mais uma daquelas paragens,
pouco técnicas, de observação paisagística e de... contrição ;)
Finalmente, por volta das 16h15, chegámos à estação de teleférico...
e como a nossa bebida já era, a primeira coisa que fizemos foi procurar uma
torneira! Ainda pensei que pudesse haver um bar ou algo do género, mas a única
coisa que encontrámos foi um edifício térreo, ao lado (mas separado) da estação
de teleférico, apenas com wc's... desta vez já ninguém se pôs a indagar da
qualidade da água... foi entrar e encher a garrafita, que isto de ser esquisito
com o espectro químico-bacteriológico do líquido é para citadinos! ;-) e depois
podia ser que, caso a coisa desse pro torto, me endireitasse as entranhas :-D
Aproveitamos para fazer uma nova paragem neste local, agora
também para recuperar forças e temperatura (que o vento não estava nada meigo).
Também procurei indagar se haveria teleférico no dia seguinte (dúvida que me
surgiu pela mesma razão - o vento forte), já que podia ser necessário no caso
de se querer voltar ao cume na manhã seguinte para ver o nascer do sol (isto se
fosse para cumprir à risca o plano inicial, pois da maneira que me sentia,
tinha já perdido a vontade de voltar a fazer aquela subida na madrugada
seguinte). De qualquer modo o teleférico também podia vir a ser útil caso
houvesse quem não conseguisse alcançar o cume antes do dia acabar, embora neste
caso houvesse o problema dos "Permissos" que só eram válidos para o corrente
dia e só para o período entre as 15h e as 17h
Depois de dadas todas estas voltas e já perto das 16h30
dirigimo-nos à portinhola de acesso ao tramo final do trilho, que nos levaria
ao pico do teide e, onde supostamente deverão fazer o controlo de acessos! Supostamente,
já que ninguém nos disse nada e como a cancela não tinha fecho foi abrir e
seguir caminho!
Mal começávamos esta ascensão final, logo avistámos alguém
com um casaco cor-de-rosa, bem vistoso, que inicialmente descia e pouco depois
parava como que a observar-nos! Não demorei muito a perceber que era a Marília,
tinha passado por nós enquanto estávamos na zona do teleférico e não tinha
parado, convicta de que já estaríamos mais acima! Como já tinha feito um pouco
daquele trajecto sem nos encontrar, e não lhe parecera seguro subir nas condições
de vento que ali encontrou, preparava-se para descer quando nos viu iniciar aquela
subida!
Efectivamente o vento era forte a ponto de nos poder
desequilibrar e o trilho muito exposto em certos troços mais virados para
nordeste... quando estávamos na zona do teleférico cheguei mesmo a recear que não
nos deixassem subir, tal era a ventania que se sentia/ouvia, o único pró é que
o teleférico estava em funcionamento e como dizia o funcionário, “se o vento não
piorar, amanhã haverá teleférico”! Por este motivo a minha convicção era q a situação
requeria muito cuidado mas não justificava que se abortasse a incursão ao cume,
e por isso lá fomos, deitados contra o vento ou agarrados a um murête lateral,
sempre q a força do vento ameaçava varrer-nos para fora do trilho... ah, e
parando de vez em quando que a minha indisposição, apesar de ter aliviado um
pouco, não tinha voado com o vento… com muita pena minha!!! Por outro lado, tínhamos
ali a Marília a fazer-nos companhia na parte final, cheia de ânimo e força, o que
de certa forma também nos animava/ajudava a terminar a etapa!
Devido à forma do cone do vulcão nesta zona e também por não
haver uma definição do ponto de pico (falta lá um marco tipo espigão ou algo do
género), apenas nos apercebemos que estamos a chegar quando aparecem algumas
correntes a formar um corrimão… e que no caso, muito jeito nos deram, para
fazer os metros finais... e para tirar algumas fotos de brincadeiras de quem
parece que está a ser arrastado pelo vento ;-)
Cerca das 17h30, e aproximadamente 16h depois de deixar o
mar, a tão desejada meta, estava ali à nossa frente, finalmente! Só parei quando
tive a certeza que os meus olhos estavam bem acima de qualquer ponto do cume
deste vulcão que nos elevara aos 3.718m, acima do nível do mar... havíamos
conseguido ultrapassar um desnível com a magnitude daquela cota, percorrendo
quase 30kms de distância, em tão somente… uma única etapa!!! Sem dúvida algo para
recordar :-)
Continua...
domingo, 25 de dezembro de 2011
Actividades Realizadas em 2011
Por ordem cronológica:
24 de Dezembro - Serra de Santa Justa e Pias - Trilho dos Corta-Fogos
09 a 11 de Dezembro - Serra de Gredos - Pico Almanzor (2.592m)
26 de Novembro - Serra da Lousã - Brama de Veados e Aldeias de Xisto
19 de Novembro - Mini-Caminhada pelos Fojos de Valongo
29 de Outubro a 01 de Novembro - Parque Natural de Somiedo (Asturias)
... Actividade 1 - Pico Cornón (2.194m)
... Actividade 2 - Lagos de Somiedo
... Actividade 3 - Las Médulas (El Bierzo - León)
15 de Outubro - Serra do Gerês - Arado » Prado Teixeira » Prado Rocalva » Rio Conho
05 de Outubro - Serra d' Arga - Trilho do Rio Âncora (Org: CAOS)
01 de Outubro - Serra de S. Macário - Covas do Rio » Aldeia da Pena » S. Macário
17 de Setembro - Serra da Cabreira - Trilho Postigo da Candosa (Org: Andarilhum)
27 de Agosto - Serra da Boneca - Alto da Boneca e Poço Negro do Rio Mau (Org: CAOS)
21 de Agosto - Serra da Freita/Arada - Pelo Rio Teixeira até ao Poço Negro (Manhouce)
24 de Julho - Serra do Gerês - Trilho das Lagoas e Cascatas de Pincães
16 a 17 de Julho - Serra da Freita/Coelheira - Acampamento na Fraguinha & Drave
08 a 10 de Julho - Douro Internacional - Calcorreando pela Linha do Douro (desactivada)
... Etapa 1 - Pocinho a Barca d' Alva
... Etapa 2 - Barca d' Alva a La Frageneda
26 de Junho - Serra do Gerês - Cascata da Ermida
12 de Junho - Serra da Peneda - Trilho da Pedrada pelas Brandas de Seida e Bosgalinhas
08 de Junho - Esposende - Trilho das Azenhas do Neiva
28 de Maio - Serra do Gerês - Fafião » Bicos Altos » Rio Laço » Porto da Lage
21 e 22 de Maio - Galiza - Muiños do Folon e Picon e Acampamento em Baiona
15 de Maio - Serra do Gerês - Pico Nevosa (1.548m)
16 de Abril - Serra do Gerês - Fafião » Cabanas do Lagarinho, da Amarela e Pradolã
20 de Março - Galiza - Trilho pelo Cabo Home e Monte Facho (Vigo)
04 a 08 de Março - Caminhos de Santiago (Inglês desde O Ferrol)
... Etapa 1 - O Ferrol a Neda
... Etapa 2 - Neda a Betanzos
... Etapa 3 - Betanzos a Bruma
... Etapa 4 - Bruma a Sigüeiro
... Etapa 5 - Sigüeiro a Santiago de Compostela
20 de Fevereiro - Serra do Gerês - Trilho dos Currais (PR3)
19 de Fevereiro - Serra do Gerês - Lagoas do Marinho desde Xertelo (Org: Clube Mont. Braga)
05 de Fevereiro - Serra d' Arga - Trilho da Pedra Alçada (Caminha)
08 de Janeiro - Serra de Santa Iria - Mirar a curva do Douro em Melres
09 a 11 de Dezembro - Serra de Gredos - Pico Almanzor (2.592m)
26 de Novembro - Serra da Lousã - Brama de Veados e Aldeias de Xisto
19 de Novembro - Mini-Caminhada pelos Fojos de Valongo
29 de Outubro a 01 de Novembro - Parque Natural de Somiedo (Asturias)
... Actividade 1 - Pico Cornón (2.194m)
... Actividade 2 - Lagos de Somiedo
... Actividade 3 - Las Médulas (El Bierzo - León)
15 de Outubro - Serra do Gerês - Arado » Prado Teixeira » Prado Rocalva » Rio Conho
05 de Outubro - Serra d' Arga - Trilho do Rio Âncora (Org: CAOS)
01 de Outubro - Serra de S. Macário - Covas do Rio » Aldeia da Pena » S. Macário
17 de Setembro - Serra da Cabreira - Trilho Postigo da Candosa (Org: Andarilhum)
27 de Agosto - Serra da Boneca - Alto da Boneca e Poço Negro do Rio Mau (Org: CAOS)
21 de Agosto - Serra da Freita/Arada - Pelo Rio Teixeira até ao Poço Negro (Manhouce)
24 de Julho - Serra do Gerês - Trilho das Lagoas e Cascatas de Pincães
16 a 17 de Julho - Serra da Freita/Coelheira - Acampamento na Fraguinha & Drave
08 a 10 de Julho - Douro Internacional - Calcorreando pela Linha do Douro (desactivada)
... Etapa 1 - Pocinho a Barca d' Alva
... Etapa 2 - Barca d' Alva a La Frageneda
26 de Junho - Serra do Gerês - Cascata da Ermida
12 de Junho - Serra da Peneda - Trilho da Pedrada pelas Brandas de Seida e Bosgalinhas
08 de Junho - Esposende - Trilho das Azenhas do Neiva
28 de Maio - Serra do Gerês - Fafião » Bicos Altos » Rio Laço » Porto da Lage
21 e 22 de Maio - Galiza - Muiños do Folon e Picon e Acampamento em Baiona
15 de Maio - Serra do Gerês - Pico Nevosa (1.548m)
16 de Abril - Serra do Gerês - Fafião » Cabanas do Lagarinho, da Amarela e Pradolã
20 de Março - Galiza - Trilho pelo Cabo Home e Monte Facho (Vigo)
04 a 08 de Março - Caminhos de Santiago (Inglês desde O Ferrol)
... Etapa 1 - O Ferrol a Neda
... Etapa 2 - Neda a Betanzos
... Etapa 3 - Betanzos a Bruma
... Etapa 4 - Bruma a Sigüeiro
... Etapa 5 - Sigüeiro a Santiago de Compostela
20 de Fevereiro - Serra do Gerês - Trilho dos Currais (PR3)
19 de Fevereiro - Serra do Gerês - Lagoas do Marinho desde Xertelo (Org: Clube Mont. Braga)
05 de Fevereiro - Serra d' Arga - Trilho da Pedra Alçada (Caminha)
08 de Janeiro - Serra de Santa Iria - Mirar a curva do Douro em Melres
domingo, 20 de março de 2011
Celtamente do Monte Facho ao Cabo Home

Neste dia em que nos preparávamos para receber a Primavera, fomos à Galiza Celta para a receber, foi então que nos dêmos conta de que já lá estava, à nossa espera, o... Verão ;)
Num passeio de 12 kms percorridos prazenteiramente, visitamos o castro do Monte Facho, apreciámos a paisagem da sobranceira Torre de Vigia, falando sobre as ilhas e... de tudo um pouco, enquanto calcorreávamos o Cabo Home nos enredávamos nos seus "faros" e nos deliciávamos com as suas praias, fosse por um motivo... ou por outro ;)
Um Domingo muito agradável em "família" :)
terça-feira, 8 de março de 2011
5ª etapa (Sigüeiro - Compostela) - Peregrinando até Santiago de Compostela, pelo Camiño (dito) Inglês
5ª Etapa - de Sigueiro a Compostela (em 8 de Março de 2011)
8 de Março,
último dia desta “peregrinação” do Ferrol a Santiago… e dia de Carnaval!
Pelos
vistos não fora só eu que dormira mal, pois ao pequeno-almoço os ingleses, que
foram meus vizinhos de piso, também se queixaram do ruído!
O meu
jantar de ontem, acabara por se fazer no quarto com alguns artigos comprados
num supermercado, perto e na mesma rua do hostal. Como tal o pequeno-almoço fizera-se
também no quarto, com o que sobrara e que tinha sido comprado já a pensar
nisso, por isso, havia que fazer ali a despedida dos ingleses que já não
voltaria a encontrar.
À saída de Sigueiro,
tudo muito calmo por ser feriado, Carnaval. Tempo de ressentir o cansaço…
talvez acumulado dos dias anteriores, talvez resultado da noite mal dormida.
Por um lado, estivera até tarde a transferir fotos de um telemóvel, que já não
tinha mais espaço em memória, para outro que não guardava a informação de quando
a foto havia sido tirada, o que me obrigou a perder mais tempo a criar notas
com a informação que iria precisar mais tarde, pra saber donde tirara as fotos.
Por outro lado, o desconforto da cama e das alergias que adiaram a hora de
passagem ao estado oficial de adormecido!
Ah, também
tempo de ressentir uma bolha, que quis dizer presente na etapa final… tipo, eu
tou aqui :P
Esta
primeira parte da etapa final até que parece interessante, por causa de um ou
outro caminho por onde se segue, embora tal panorama não dure por muito tempo,
para dar lugar a um percurso junto a una estrada nacional que mais à frente
intersecta uma zona industrial que permanece durante tempo demasiado, com um
apogeu, negativo, junto da FINSA, (indústria de aglomerados de madeira) com a
sua densa fumarada!
Talvez por
me encontrar numa das zonas menos apelativas de todo o trajecto sinta com maior
intensidade a bolha a magoar… tempo de ignorar as maleitas e seguir caminho… ao
som de “here i go again om my on...” literalmente…
Até ao centro
de Santiago, não trouxe, esta etapa do percurso, nada mais interessante do que
uma paragem num bar, ainda na zona industrial, chamado de “Polígono”, onde me
ofereceram a coisa mais parecida com um bolinho de bacalhau que deverá existir
em terras da realeza ibérica! Pelo menos foi agradável, terem oferecido algo de
comer ao peregrino, ainda que a água de 50cl a 95cts não fosse propriamente uma
pechincha, a oferta dos 2 bolinhos (de batata) e dos 2 “calamares”, ficou-lhes
muito bem. :)
Não tardou
muito até que estivesse às portas de Compostela! E embora o percurso e
respectivas marcações estivessem um pouco baralhados, talvez pela possibilidade
de se seguir diferentes trajectos, o objectivo de alcançar logo que possível a
Catedral de Santiago, mote para qualquer peregrino, outrora como agora,
depressa viria a ser concretizado!
Como marca
da passagem dos séculos, agora que nunca como outrora, a oração na hora da
chegada foi substituída pela já instituída… foto “finish” :D assim como quem
não quer, mas afinal até quer, comprovar que o objectivo fora conseguido e pretendendo
mais tarde recordar aquele momento… mas por mais que se diga que uma imagem vale
mais que mil palavras, a verdade é que nem mil imagens podem equivaler ao momento
vivido e sentido :)
Tempo para entrar
na catedral de mochila às costas… fazer a ronda e procurar a oficina do
peregrino onde é suposto darem a Compostela, espécie de diploma escrito em
latim, onde se certifica que o seu detentor cumpriu os requisitos, ou seja
apresentar uma credencial com uma data de carimbos (é bom saberem que
normalmente exigem que haja pelo menos 2 carimbadelas por cada dia de
percurso), e que como tal cumpriu a peregrinação de acordo com as leis
eclesiásticas. Como tal às 15h00 locais (14h00 em Portugal), sou oficialmente
um Peregrino!
Uma vez que
a oficina do peregrino, não fica situada na catedral mas sim num edifício
antigo numa das ruas que lhe são perpendiculares (mais precisamente do lado
direito de quem admira a colossal fachada), regresso à mesma para o tradicional
abraço ao santo… contudo o santo tinha ido almoçar :D … ou pelo menos quem o
guarda, já que fecham a porta de acesso ao local por detrás da estátua e fixam
o horário na porta gradeada em ferro. Assim havia que voltar às 16h00 para cumprir
este ritual… já que não ia esperar pelo dia seguinte para assistir à missa do
Peregrino (que se realiza todos os dias às 12h locais, para quem desejar
participar tem de ter isso em conta) e apesar de mais uma vez encontrar uma
porta fechada (não foi a da catedral mas foi a do santo) pelo menos ao ritual
do abraço tinha de comparecer ;)
Depois de
ter estado sentado, durante alguns momentos, no interior da catedral a escrever
algumas destas notas, aproveitando o tempo ainda disponível para uma bebida num
bar ali próximo!
Pouco
depois das 16h00 entrego ao santo os Abraços de quem mos havia confiado, de
entre Familiares, Amigos e “Xente no camiño”!
O meu caminho,
esse iria-se prolongar ainda um pouco mais, até chegar novamente ao albergue
onde me alojára na primeira noite, para um banho refrescante antes do regresso
a casa…
segunda-feira, 7 de março de 2011
4ª etapa (Bruma - Sigüeiro) - Peregrinando até Santiago de Compostela, pelo Camiño (dito) Inglês
4ª
Etapa - de Bruma a Sigueiro (em 7 de Março de 2011)
E nada
melhor do que a bruma para saudar o amanhecer deste novo dia… em Bruma!!!
A vida de
peregrino não é fácil, bem pelo menos assim fôra outrora, já que estar na rua
às 8h da manhã e a tirar fotos não é propriamente o mesmo que levantar ainda de
madrugada para cuidar da terra, como muitos ainda hoje o fazem, de qualquer
modo, comparando com o peregrino moderno que só vem no verão, a fazer etapas
curtas, comer em restaurantes e dormir em pensões, sempre faço a coisa mais
autentica um bocadinho ;)
Tempo de
dar uma última olhadela ao albergue e à sua envolvente também agradável com o
riozinho, o parque infantil e a secular igrejinha!
Faço-me ao
caminho mirando os campos e a névoa que paira sobre o riacho, sentindo os dedos
gelarem, talvez para me lembrar que ainda estámos no Inverno e que por aqui as
noites são mesmo frias, apesar do sol sorridente que tinha apanhado durante os
dias anteriores, nesta minha peregrinação! A esta hora estava ainda muito frio!
Nas bermas era bem visível a geada, o que em nada ajudava a aquecer este
peregrino, o que ajudava era ele acelerar o passo, isso sim, ajudava a aquecer
e muito!!!
Apesar da
ruralidade desta zona, reparo que nem toda a gente saúda à passagem do
peregrino, ao contrário do que já tenho experimentado enquanto montanheiro
noutras zonas também rurais! Talvez essa diferença se deva ao facto de que
essas zonas de montanha, normalmente se encontram em locais mais isolados do
que este que apesar de rural já está muito perto duma grande cidade como o é
Santiago!
Outra coisa
que também reparei foi que apesar de ter visto muitos corvos, nomeadamente
nesta manhã, o facto é que não me recordo de ver os correspondentes
espanta-pajaros (os nossos espantalhos, ou espanta-corvos, como muito
apropriadamente, no seu caso, dizem os ingleses).
Aproveito
uma mesa envolta numa forma de espigueiro, junto a um verdadeiro espigueiro (ou
horreo como por aqui se diz) para comer um pequeno naco de pão enquanto aprecio
as estranhas esculturas(?!) que observo do outro lado da estranha feitas em
metal com alguns elementos, digamos que rurais… não sei se ache kich ou
ridículo ou engraçado, mas pareceram-me originais ;)
Mais à
frente, aí sim uma paragem para um pequeno-almoço como deve ser… tostadas e
café-con-leche… eram para aí umas onze e um quarto da manhã e encontrava-me no
bar “A Rua”. Depois de ter passado mais uma igreja, fechada, aqui estava mais
um local para recompor o gôto e arrecadar o carimbo! Conclusão: o peregrino
moderno não deixa a esmola na igreja, deixa o contributo no comercio local para
gáudio dos prazeres da carne… algo soa errado aqui, ou talvez não ;)
“Porra Bar
A Rua”, não, não etsou a dizer que o bar é uma porra, é apenas o que está num
cartaz que vejo afixado e que pelo resto da descrição parece relacionar-se com
algo tipo torneio de futebol, sei lá… ao lado um “paisano” fala num galego
enrolado de que não capto nada! Tempo de prosseguir, pago (não sei bem, mas uns
2 a 3€) e sigo viagem, cantando eu tenho 2 amores :P
Pouco
depois altura de seguir por estrada rural, já sem o transito, ainda que pouco,
da anterior e passar por uma ponte onde parei um pouco em telefonemas pois
tinha de tratar dum assunto pendente e ligar pró banco que hoje é
segunda-feira.
Um pouco
mais à frente cruzo-me com um casal de ingleses no caminho... Atendendo a que foram
poucos os peregrinos que encontrei no caminho, o facto de ter encontrado estes
2 já me dá uma boa percentagem de peregrinos ingleses nas contas finais do
caminho inglês :D
Não estando
cansado, tenho contudo o aspecto de um verdadeiro peregrino de gorro e barba
comprida ;)
Hoje já não
havia os constrangimentos de re-abastecimento do dia anterior e por isso toca a
desforrar e mais à frente num outro bar, “Cruzeiro” (porque estava ao pé de um
cruzeiro, digo eu) voltei a encontrar os ingleses com que me havia cruzado
nesta manhã.
Altura pra
troca de algumas impressões sobre o caminho enquanto aguardávamos pelo serviço.
Paguei
pouco mais de 3€ por um sumo pêssego de 33cl e um “bocadilho” de queijo enorme,
que parti em 3 pedaços e ainda embrulhei 2 para levar e quando pedi guardanapos,
logo vieram com tudo já embrulhado em folha d aluminio ;)
Nessa
altura ao balcão, um outro cliente, desta feita um galego, perguntando-me de
onde vinha, metia conversa tentando falar em português ou galego. O homem
queria mesmo falar em português (não era em galego), contando como havia
trabalhado em Portugal durante muitos anos, donde regressara havia mais de
sete, de como se enamorara duma moça de Aveiro, onde tinha trabalhado como
chefe de pedreiros e de como aí descobrira a sardinha assada, de que ele tanto
gostou que da primeira vez comera umas 14… ou 17 :D
Já com os
pés de novo no caminho e a pouca distância do bar que acabara de deixar,
cruzo-me com uma senhora já com alguma idade que empurrava a sua carrela (que
para quem não sabe é um carrinho de mão) cheia de lenha, pois como ela dizia, havia
que aproveitar o bom tempo!!!
Mais à
frente é com alguma tristeza que passo por uma zona onde estão a cortar um
carvalhal, seria para serrar ou para libertar a zona para construir, não sei…
Mas
tristezas não pagam dívidas nem encurtam os caminhos, muito pelo contrário… por
isso, à que voltar ao reportório e toca a cantar novamente os dois amores, mas
com outra letra e… outra música que prá mesma já não havia pachorra ;) e também
convinha mudar de repertório com facilidade para não me cansar nem incomodar
demasiado os passarinhos… e o “wanderers & nomads” do Johny Clegg (Digging
for some words) sempre tinha mais a ver com o espírito do momento :)
A meio duma
subida numa recta prolongada, paro a escrever algumas destas notas, quando
passam por mim, novamente, os 2 ingleses queixando-se de ser tão longa a etapa!
Ficaram mais animados quando lhes disse que faltavam apenas 3 kms… e lá
seguiram no seu ritmo!
Estes últimos
quilómetros da etapa também não tinham grande história para contar, embora à entrada
de Sigueiro a sinalização fosse muito confusa, sendo que acabei por ter de perguntar
pelo hostal! Afinal estava quase à porta.
Os 16€ por
um quarto privativo (ainda que sem wc), não estavam nada mal! Por isso achei
que não compensava estar a ir dormir ao pavilhão gimnodesportivo (afinal já
tive a minha experiência e já), ainda por cima que a informação que trazia era
a de que este pavilhão era bastante mais frio que o de Betanzos, pelo que não
justificava o risco... entretanto chegam os ingleses e ajudo-os a fazer o
check-in no hostal… sim que isto de pôr ingleses e espanhóis a falar uns com os
outros tem que se lhe diga ;)
Hora para acomodar
e tomar banho. Antes da noite chegar, tempo ainda para fazer algumas compras para
aliviar a vontade de comer... e procurar por um local de tapas que o Zé Carlos
me indicara como ficando junto à igreja! Pensei que desta vez seria fácil, não
havia que enganar pois era junto à igreja… mas não aparece igreja nenhuma,
mesmo a miúda a quem perguntei não sabia responder!!! Estranho… esta coisa de
fazer o caminho todo e só encontrar igrejas fechadas e outras que se escondem para
eu não as encontrar ;)
Também não
estava para andar muito à procura, dei uma volta para conhecer o centrito. Tive
a oportunidade de verificar que o caminho naquela zona estava marcado sim, mas
duma maneira que só por acaso é que o encontrava, já que alguns dos azulejos que
tem as setas/vieiras que te indicam as direcções, estão colocados bastante a
cima do que seria de esperar, ao nível do 1º andar, isto porque são locais em
que o r/c não está com o acabamento concluído, algo que se vê muito em Espanha,
já que é comum não fazerem a fachada do r/c (parte comercial) ao mesmo tempo do
resto da fachada!!!
De regresso
ao hostal para uma noite para esquecer… a cama enterra-se a meio, a janela
deixa entrar todo o ruído da avenida principal que, apesar de não ser grande,
fica integrada numa estrada nacional e para cúmulo com esta alcatifa e ambiente
mofoso, alvitraram-se-me as alergias todas :(
domingo, 6 de março de 2011
3ª etapa (Betanzos - Bruma) - Peregrinando até Santiago de Compostela, pelo Camiño (dito) Inglês
3ª Etapa - de Betanzos a Bruma (em 6 de Março de 2011)
Ora estamos no Domingo Gordo mas a etapa de hoje será mais magra que a de ontem e deverá ficar-se pelos 30kms. É claro que se aqui o peregrino tivesse ficado por Miño aí sim teria um Domingo bem gordo com uns prováveis 42kms para percorrer!!!
Contudo, o prato principal deste Domingo de Carnaval iria ser a bolha que tinha ganho naquela etapa alongada, pelo que teria de introduzir uma nuance no planeamento e começar bem cedo esta etapa! Mesmo porque também queria visitar Betanzos, nem que fosse apenas uma vista de olhos assim por alto.
Por isso a alvorada foi às 6:30, para deixar o pavilhão arrumadinho e fazer a visita à cidade ainda antes das 9:00! Tudo muito calminho para não dizer deserto, como seria de esperar a um Domingo a esta hora, ainda por cima na ressaca duma noite de Carnaval... já a primeira coisa aberta que vi foi um quiosque que em boa hora vendia pilhas pois o GPS estava a gastar muito, ou não tivesse também ele uma etapa prolongada de registo no dia anterior, e eu não queria estar a arriscar-me a ficar sem o registo completo!
Como já todos os portugueses devem saber que a notícia corre depressa, em Espanha, é normal encontrar-se “pilas” à venda em qualquer esquina, ou quiosque, e este aqui não é excepção, já os 3,5€ por 4 “pilas”, pode dar azo a muitos comentários sobre a justeza do negócio, mas posso garantir que nem foi do mais caro... o pequeno almoço com “Cola-cao” e um croissant, por sinal muito bom, no “Capitol”, que deve ter andado pelos 2,7€, também não foi um mau negócio para um café situado na praça principal e quase o único aberto neste dia a esta hora.
Xente na rua também não foi fácil encontrar, embora tivesse encontrado na praça uns 2 ou 3 fantasiados, com todos os sinais de restos da noitada e não de uma qualquer família de madrugadores!!!
Deixo para trás, neste inicio da etapa ouço os galináceos com os seus cocorós que dão a vez a aves mais pequenas, sejam aquelas que vulgarmente rotulamos genericamente como passarinhos, sejam outras de um porte superior como um pica-pau! Já um pouco à frente, em Xan Rozo, fiquei agradavelmente surpreendido quando um jovem que, de dentro da sua casa no 1º andar duma tradicional casa em pedra, me vê passar na rua e abre a janela, apenas para me atirar com aquele “Buen Camino”, voltando em seguida a fechar a janela e a regressar aos seus afazeres matinais!!!
Taxi!!! Várias anúncios com um número de telefone, junto aos marcos que sinalizam o caminho, fosse em placa ou em papel colado, sinal de que por aqui, ou o comercio é pró-activo, ou faz mesmo falta aos peregrinos... se pensar-mos que a etapa deveria começar em Miño e não em Betanzos, talvez algumas destas indicações possam já ter sido úteis para alguém menos habituado ao relevo da zona, que para já não é significativo. Mais à frente um outro letreiro anuncia, “Casa Júlia - café-bar - telefone antes de vir...”, humm, café-bar que é preciso que liguem antes de ir, será que é único?! e fechado?!!!
Depois de passar por Luminon, entro numa zona onde se vêem alguns passarões, como uns corvos, um gaio e uma outra gralha qualquer que não sei especificar o título! Depois dessa zona arborizada, passa-se para outra de prados e chegamos a Abegondo, mais especificamente à paróquia de Cos, onde acontece uma cena com um pouco mais de acção do que o normal, que diga-se de passagem, foi sempre sereno. Seguindo em frente no meu caminho deparo-me com alguém, um senhor na casa dos seus 50-60 anos que vindo na minha direcção pára antes de se cruzar comigo e volta para trás. Como o meu passo era mais acelerado que o dele, rapidamente o ultrapasso, tendo ele então a preocupação de me advertir que irei encontrar um cão que me irá ladrar, “anhadindo” por outro lado que o mesmo não faz mal. Agradecendo prossegui o meu caminho, sendo entretanto, um pouco mais à frente, ultrapassado também eu, neste caso por um grupo de ciclistas (ou devo chamar-lhes ciclo-peregrinos?!) que, alguns metros mais à frente, ao passar por um portão se depara com um enorme pastor-alemão que sai lá de dentro a correr, para provocar a confusão geral, com uns a desviarem-se e um outro a ter mesmo de parar. Entretanto o dono do cão já estava por ali a chamar o cão e a ralhar-lhe. Certo é que o bicho tinha um porte de meter respeito e a sair assim naquele repente de certeza que aquele pessoal das 2 rodas deve ter apanhado cá um daqueles sustos, ainda que sem consequências!
Mais à frente foi tempo para fazer uma paragem e verificar que a bolha estava em ordem! Ou seja a bolha estava lá, pois essas coisas não desaparecem assim com duas tretas, foi só mesmo para verificar se a linha estava no sitio e a cumprir a sua tarefa de drenagem ;)
Enquanto ia pensando que compensara vir carregado com os 2 bastões de caminhada, pois já estavam a justificar bem a sua presença, por entre anúncios de bares dos quais não se via nem rastos, entrara já na lógica universal de que um mal maior encobre outras maleitas, já que a bolha tornara-se um espectro perante a maior evidência da fome e sede que estava a sentir, já que o raio do bar, ou café ou loja que fosse, teimava em não aparecer… e eu que pensara que não ia para o meio do deserto, nem sequer para a montanha, pelo que não estava preparado para tantos quilómetros de ausência de comércio ou/de restauração, muito menos depois da experiência dos primeiros dias em que era só pensar nessa necessidade que aparecia logo algo!
Depois de um par de horas de adiamento e uma indicação de restaurante, mas que significava um desvio não quantificado, pela senhora da casa onde fui tentar conseguir mais informações, lá cheguei finalmente ao primeiro e talvez único bar desta etapa do caminho... a tal Casa Júlia que dizia para ligar antes de vir! Afinal revelou-se um café-bar, mas com restaurante e por sinal muito movimentado inclusive com uma sala privada. Toda esta agitação talvez se devesse ao facto de ser Domingo e pudesse ser um daqueles locais mais procurados para esta refeição semanal, ainda para mais não havendo nada aqui à volta. Deu também para comprovar que na Galiza as cascas de amendoim são mesmo para deitar para o chão, já que a zona do bar, que foi onde almocei, estava com o chão repleto de cascas e a clientela que frequenta o restaurante até se veste mais ao menos, pelo que não sendo um qualquer “gourmet” também não é um tascómetro qualquer! Mesmo assim ainda bem que acabei por não seguir a indicação da senhora para fazer o desvio e procurar o bar Zapatero que segundo ela só servia “bocadillos”, pelo menos aqui sempre tem o típico caldo galego e pão da aldeia. Já quanto às “croquetas caseras”, não há muito a dizer pois verdadeiramente só se aproveitou a quantidade!
Agora, quando alguém vos disser que a seguir é que vem a parte pior… acreditem, que pode ser verdade!!! Embora não seja fácil de aceitar, especialmente quando já se traz uns 16kms nas pernas, a verdade é que o tramo mais… tramado, desta etapa, veio em seguida com uma subidinha “filha-da-mãe”, o que é o mesmo que dizer que tive uma sobremesa um bocadinho indigesta. ;) Bem que fui avisado disso por um dos clientes que se encontrava ao balcão do restaurante, todavia achei que o homem podia estar a exagerar, ou então que estivesse habituado a refrear os ânimos de quem chegue a este ponto já com a meta em mente, quando ainda faltava quase outro tanto para a conclusão da jornada. Mas não, pouco depois, ainda com a barriguinha cheia com dois pratos de sopa, “croquetas” (que ainda chegaram para fazer sandes, já que na barriga a lotação estava esgotada) e duas “claras” (equivalente ao nosso “panaché” ou traçado) lá fui dar de caras com a dita subidita...
Custou, não vou negar, mas como é obvio, foi subida ultrapassada, mesmo que para isso tivesse que contar umas 2 ou 3 paragens para recuperar o fôlego e, porque não, para acariciar o animo, que é uma coisa com que também temos de contar e providenciar para nós próprios quando estamos a caminhar a solo! Contar e cantar que é outra coisa que pode ajudar a animar, principalmente se cantarmos para nós próprios, sem espectadores e muito menos críticos ;)
Baixinho (que era para não incomodar os passarinhos… que podiam ficar envergonhados com o seu pio desafinado, perante tal tenor ;) lá fui a cantarolar a popular "eu quero ir para o monte... que no monte é que estou bem", enquanto a subida ficava para trás e, já em zona de planalto, ia diversificando o reportório ao mesmo tempo que mudava de hemisfério para cantar um "wanderers & nomads...", tudo a condizer :D
Ao fim do dia começo a pensar que este caminho inglês é mesmo pouco calcorreado, a julgar pela quantidade de teias de aranha que ia “apanhando”, muito embora o facto de estar a entardecer ajudar bastante a essa “colheita”!!!
Um pouco antes de Bruma (diria eu que aí a cerca de 1km da aldeia ;) aparece-nos ao caminho uma placa a dizer que há um albergue a… 1km! Como quem diz: não desesperes agora que já não vale a pena!!!
Á entrada da aldeia, a senhora que tomava conta do albergue, viu-me passar e, vá-se lá perceber porquê, reparou que vinha ali peregrino e seguiu-me até ao albergue para me abrir a porta! Pensava eu que iria ficar sozinho mais uma noite, mas afinal já cá se encontrava um dos dois espanhóis sossegados com quem me cruzara, no primeiro albergue, em Neda… Este tinha “rebentado” no restaurante e feito o trajecto até aqui de carro! Já o amigo, peregrino experiente, vinha a pé completando por esse meio a totalidade da etapa, a qual terminou cerca de uma hora depois!
Neste entretanto estivemos, eu e o espanhol que primeiro chegara, a ouvir o responsável pelo albergue, marido da outra senhora, a falar da sua construção, pois era deles a casa antiga, sobre a qual fora erguido este novo edifício de arquitectura moderna, ainda que adaptada à envolvente e à anterior construção. Notava-se o gosto pelo novo edifício (que diga-se de passagem tem boa pinta) e um certo amargor pelas dificuldades sentidas por quem faz a manutenção dum equipamento social, quando tem de lutar com a falta de fundos e, no caso, também da insuficiência no fornecimento, por parte do “Concello” dos artigos necessário ao seu funcionamento como, por exemplo, os lençóis (“sabanas”) descartáveis! Nós como peregrinos de época baixa acabamos por não sentir qualquer uma dessas limitações e beneficiamos mesmo de uma longa conversa, onde fiquei a saber, entre outras coisas que aqui a época alta também começa na semana santa, prolongando-se aí até meados de Setembro… em Dezembro já vêm poucos e Janeiro/Fevereiro ainda menos, sendo esta a fase em que se encontra o albergue, daí que por pouco não pernoite sozinho!… como o señor gostava (muito) de falar, conversou-se um pouco sobre tudo, nomeadamente… futebol e, desta vez,… Mourinho!
Bruma, 23h00… os espanhóis já foram dormir! Dada a hora acho que vou seguir o exemplo, pois aqui a rede é mesmo muito fraca pelo que não vale a pena ir lá para fora tentar ligar à internet… é que está friooo ;)
Ora estamos no Domingo Gordo mas a etapa de hoje será mais magra que a de ontem e deverá ficar-se pelos 30kms. É claro que se aqui o peregrino tivesse ficado por Miño aí sim teria um Domingo bem gordo com uns prováveis 42kms para percorrer!!!
Contudo, o prato principal deste Domingo de Carnaval iria ser a bolha que tinha ganho naquela etapa alongada, pelo que teria de introduzir uma nuance no planeamento e começar bem cedo esta etapa! Mesmo porque também queria visitar Betanzos, nem que fosse apenas uma vista de olhos assim por alto.
Por isso a alvorada foi às 6:30, para deixar o pavilhão arrumadinho e fazer a visita à cidade ainda antes das 9:00! Tudo muito calminho para não dizer deserto, como seria de esperar a um Domingo a esta hora, ainda por cima na ressaca duma noite de Carnaval... já a primeira coisa aberta que vi foi um quiosque que em boa hora vendia pilhas pois o GPS estava a gastar muito, ou não tivesse também ele uma etapa prolongada de registo no dia anterior, e eu não queria estar a arriscar-me a ficar sem o registo completo!
Como já todos os portugueses devem saber que a notícia corre depressa, em Espanha, é normal encontrar-se “pilas” à venda em qualquer esquina, ou quiosque, e este aqui não é excepção, já os 3,5€ por 4 “pilas”, pode dar azo a muitos comentários sobre a justeza do negócio, mas posso garantir que nem foi do mais caro... o pequeno almoço com “Cola-cao” e um croissant, por sinal muito bom, no “Capitol”, que deve ter andado pelos 2,7€, também não foi um mau negócio para um café situado na praça principal e quase o único aberto neste dia a esta hora.
Xente na rua também não foi fácil encontrar, embora tivesse encontrado na praça uns 2 ou 3 fantasiados, com todos os sinais de restos da noitada e não de uma qualquer família de madrugadores!!!
Deixo para trás, neste inicio da etapa ouço os galináceos com os seus cocorós que dão a vez a aves mais pequenas, sejam aquelas que vulgarmente rotulamos genericamente como passarinhos, sejam outras de um porte superior como um pica-pau! Já um pouco à frente, em Xan Rozo, fiquei agradavelmente surpreendido quando um jovem que, de dentro da sua casa no 1º andar duma tradicional casa em pedra, me vê passar na rua e abre a janela, apenas para me atirar com aquele “Buen Camino”, voltando em seguida a fechar a janela e a regressar aos seus afazeres matinais!!!
Taxi!!! Várias anúncios com um número de telefone, junto aos marcos que sinalizam o caminho, fosse em placa ou em papel colado, sinal de que por aqui, ou o comercio é pró-activo, ou faz mesmo falta aos peregrinos... se pensar-mos que a etapa deveria começar em Miño e não em Betanzos, talvez algumas destas indicações possam já ter sido úteis para alguém menos habituado ao relevo da zona, que para já não é significativo. Mais à frente um outro letreiro anuncia, “Casa Júlia - café-bar - telefone antes de vir...”, humm, café-bar que é preciso que liguem antes de ir, será que é único?! e fechado?!!!
Depois de passar por Luminon, entro numa zona onde se vêem alguns passarões, como uns corvos, um gaio e uma outra gralha qualquer que não sei especificar o título! Depois dessa zona arborizada, passa-se para outra de prados e chegamos a Abegondo, mais especificamente à paróquia de Cos, onde acontece uma cena com um pouco mais de acção do que o normal, que diga-se de passagem, foi sempre sereno. Seguindo em frente no meu caminho deparo-me com alguém, um senhor na casa dos seus 50-60 anos que vindo na minha direcção pára antes de se cruzar comigo e volta para trás. Como o meu passo era mais acelerado que o dele, rapidamente o ultrapasso, tendo ele então a preocupação de me advertir que irei encontrar um cão que me irá ladrar, “anhadindo” por outro lado que o mesmo não faz mal. Agradecendo prossegui o meu caminho, sendo entretanto, um pouco mais à frente, ultrapassado também eu, neste caso por um grupo de ciclistas (ou devo chamar-lhes ciclo-peregrinos?!) que, alguns metros mais à frente, ao passar por um portão se depara com um enorme pastor-alemão que sai lá de dentro a correr, para provocar a confusão geral, com uns a desviarem-se e um outro a ter mesmo de parar. Entretanto o dono do cão já estava por ali a chamar o cão e a ralhar-lhe. Certo é que o bicho tinha um porte de meter respeito e a sair assim naquele repente de certeza que aquele pessoal das 2 rodas deve ter apanhado cá um daqueles sustos, ainda que sem consequências!
Mais à frente foi tempo para fazer uma paragem e verificar que a bolha estava em ordem! Ou seja a bolha estava lá, pois essas coisas não desaparecem assim com duas tretas, foi só mesmo para verificar se a linha estava no sitio e a cumprir a sua tarefa de drenagem ;)
Enquanto ia pensando que compensara vir carregado com os 2 bastões de caminhada, pois já estavam a justificar bem a sua presença, por entre anúncios de bares dos quais não se via nem rastos, entrara já na lógica universal de que um mal maior encobre outras maleitas, já que a bolha tornara-se um espectro perante a maior evidência da fome e sede que estava a sentir, já que o raio do bar, ou café ou loja que fosse, teimava em não aparecer… e eu que pensara que não ia para o meio do deserto, nem sequer para a montanha, pelo que não estava preparado para tantos quilómetros de ausência de comércio ou/de restauração, muito menos depois da experiência dos primeiros dias em que era só pensar nessa necessidade que aparecia logo algo!
Depois de um par de horas de adiamento e uma indicação de restaurante, mas que significava um desvio não quantificado, pela senhora da casa onde fui tentar conseguir mais informações, lá cheguei finalmente ao primeiro e talvez único bar desta etapa do caminho... a tal Casa Júlia que dizia para ligar antes de vir! Afinal revelou-se um café-bar, mas com restaurante e por sinal muito movimentado inclusive com uma sala privada. Toda esta agitação talvez se devesse ao facto de ser Domingo e pudesse ser um daqueles locais mais procurados para esta refeição semanal, ainda para mais não havendo nada aqui à volta. Deu também para comprovar que na Galiza as cascas de amendoim são mesmo para deitar para o chão, já que a zona do bar, que foi onde almocei, estava com o chão repleto de cascas e a clientela que frequenta o restaurante até se veste mais ao menos, pelo que não sendo um qualquer “gourmet” também não é um tascómetro qualquer! Mesmo assim ainda bem que acabei por não seguir a indicação da senhora para fazer o desvio e procurar o bar Zapatero que segundo ela só servia “bocadillos”, pelo menos aqui sempre tem o típico caldo galego e pão da aldeia. Já quanto às “croquetas caseras”, não há muito a dizer pois verdadeiramente só se aproveitou a quantidade!
Agora, quando alguém vos disser que a seguir é que vem a parte pior… acreditem, que pode ser verdade!!! Embora não seja fácil de aceitar, especialmente quando já se traz uns 16kms nas pernas, a verdade é que o tramo mais… tramado, desta etapa, veio em seguida com uma subidinha “filha-da-mãe”, o que é o mesmo que dizer que tive uma sobremesa um bocadinho indigesta. ;) Bem que fui avisado disso por um dos clientes que se encontrava ao balcão do restaurante, todavia achei que o homem podia estar a exagerar, ou então que estivesse habituado a refrear os ânimos de quem chegue a este ponto já com a meta em mente, quando ainda faltava quase outro tanto para a conclusão da jornada. Mas não, pouco depois, ainda com a barriguinha cheia com dois pratos de sopa, “croquetas” (que ainda chegaram para fazer sandes, já que na barriga a lotação estava esgotada) e duas “claras” (equivalente ao nosso “panaché” ou traçado) lá fui dar de caras com a dita subidita...
Custou, não vou negar, mas como é obvio, foi subida ultrapassada, mesmo que para isso tivesse que contar umas 2 ou 3 paragens para recuperar o fôlego e, porque não, para acariciar o animo, que é uma coisa com que também temos de contar e providenciar para nós próprios quando estamos a caminhar a solo! Contar e cantar que é outra coisa que pode ajudar a animar, principalmente se cantarmos para nós próprios, sem espectadores e muito menos críticos ;)
Baixinho (que era para não incomodar os passarinhos… que podiam ficar envergonhados com o seu pio desafinado, perante tal tenor ;) lá fui a cantarolar a popular "eu quero ir para o monte... que no monte é que estou bem", enquanto a subida ficava para trás e, já em zona de planalto, ia diversificando o reportório ao mesmo tempo que mudava de hemisfério para cantar um "wanderers & nomads...", tudo a condizer :D
Ao fim do dia começo a pensar que este caminho inglês é mesmo pouco calcorreado, a julgar pela quantidade de teias de aranha que ia “apanhando”, muito embora o facto de estar a entardecer ajudar bastante a essa “colheita”!!!
Um pouco antes de Bruma (diria eu que aí a cerca de 1km da aldeia ;) aparece-nos ao caminho uma placa a dizer que há um albergue a… 1km! Como quem diz: não desesperes agora que já não vale a pena!!!
Á entrada da aldeia, a senhora que tomava conta do albergue, viu-me passar e, vá-se lá perceber porquê, reparou que vinha ali peregrino e seguiu-me até ao albergue para me abrir a porta! Pensava eu que iria ficar sozinho mais uma noite, mas afinal já cá se encontrava um dos dois espanhóis sossegados com quem me cruzara, no primeiro albergue, em Neda… Este tinha “rebentado” no restaurante e feito o trajecto até aqui de carro! Já o amigo, peregrino experiente, vinha a pé completando por esse meio a totalidade da etapa, a qual terminou cerca de uma hora depois!
Neste entretanto estivemos, eu e o espanhol que primeiro chegara, a ouvir o responsável pelo albergue, marido da outra senhora, a falar da sua construção, pois era deles a casa antiga, sobre a qual fora erguido este novo edifício de arquitectura moderna, ainda que adaptada à envolvente e à anterior construção. Notava-se o gosto pelo novo edifício (que diga-se de passagem tem boa pinta) e um certo amargor pelas dificuldades sentidas por quem faz a manutenção dum equipamento social, quando tem de lutar com a falta de fundos e, no caso, também da insuficiência no fornecimento, por parte do “Concello” dos artigos necessário ao seu funcionamento como, por exemplo, os lençóis (“sabanas”) descartáveis! Nós como peregrinos de época baixa acabamos por não sentir qualquer uma dessas limitações e beneficiamos mesmo de uma longa conversa, onde fiquei a saber, entre outras coisas que aqui a época alta também começa na semana santa, prolongando-se aí até meados de Setembro… em Dezembro já vêm poucos e Janeiro/Fevereiro ainda menos, sendo esta a fase em que se encontra o albergue, daí que por pouco não pernoite sozinho!… como o señor gostava (muito) de falar, conversou-se um pouco sobre tudo, nomeadamente… futebol e, desta vez,… Mourinho!
Bruma, 23h00… os espanhóis já foram dormir! Dada a hora acho que vou seguir o exemplo, pois aqui a rede é mesmo muito fraca pelo que não vale a pena ir lá para fora tentar ligar à internet… é que está friooo ;)
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