terça-feira, 22 de março de 2016

A LENDA DOS OLHOS DE ÁGUA



A Lenda dos Olhos de Água...
(Texto Original / Ilustrações da Internet)

Houve um tempo em que a menina Vera vivia feliz brincando com os seus primos Abraão e António (a quem chamavam Brão e Tono). No seu universo havia sempre sol e alegria e a Vera cresceu feliz e divertida. No entanto um dia, a sua ama Gaia casou com Bereno (ou Berno, como gostava que o tratassem), mas Berno era um ser frio e tenebroso que impunha a sua vontade e disciplina a todos, e a liberdade com que cada uma das crianças brincava com Gaia acabou! Gaia passava cada vez menos tempo com as crianças e, por ali, já só se ouvia falar de Gaia e Berno!


As crianças começaram a passar cada vez mais tempo juntas e mais ausentes de Gaia... O carácter de Tono e Brão era muito diferente um do outro, mas ambos gostavam muito da sua prima Vera... o Tono de carácter moderado, como a sua prima, sentia por ela muita afinidade e passava muito tempo junto dela aleando-se um pouco do seu primo Brão. Já o Brão de carácter mais vincado, caloroso mas temperamental, tinha ciúmes do Tono e queria brincar com a prima, mas sem o Tono, pois como havia muita cumplicidade entre ambos, sentia-se excluído. 


Por causa disto fazia de tudo para os separar e um dia em que Vera procurava, como sempre, o Tono para novas brincadeiras, o Brão decidiu afastá-la dele e enganou-a dizendo-lhe que o Tono havia conhecido uma nova amiga, a Imprudência, e que os vira partir em direcção ao Desconhecido, um lugar que ninguém sabia como lá chegar! Disse também que ainda tentara que eles ficassem a brincar com ele mas que o Tono lhe tinha dito que já não voltava a brincar com eles pois agora só gostava da sua nova amiga e iria com ela para a sua terra, pois a Imprudência morava no lugar Desconhecido. 

Vera ficou inconsolável e desatou num pranto tamanho que logo ali nasceu uma lagoa de lagrimas daqueles olhos de água... 

Não contente com este cenário o Brão, assim que viu o Tono aproximar-se, e antes que a prima o avistasse, correu a chamar por Berno e disse-lhe que o Tono havia sido horrível com a prima Vera, que lhe tinha tirado as folhas, secado as flores e afoguentado os passarinhos que a divertiam, e ainda, que insatisfeito por ele ter tentado ajudar a prima, lhe tinha tirado, a ele, os frutos e roubado as colheitas, o Berno assim que ouviu esta história soltou toda a sua fúria, saltaram relâmpagos da sua voz e tempestades dos seus braços, vociferou ameaças de destruição ao Tono...


O Tono assim que ouviu tamanha fúria ao longe, olhou na sua direcção e sentiu toda a ira do universo em Berno! Não percebera o que se passava até que Bento, seu pai, lhe disse para fugir pois ouvira Berno prometer destruí-lo se o apanhasse. Tono pôs-se em fuga e só voltou a aproximar-se de Gaia quando o Bento lhe sussurrou que Berno já estava longe!

Desde esse tempo que a prima Vera caminha pelo terrenos de Gaia à procura do Tono, espalhando os seus olhos de água por onde passa ao mesmo tempo que todos alegra com o seu canto de ave e o seu sorriso florido. O Brão, que continua a segui-la procurando alegrá-la com as suas quentes e festivas noites e sua luxuriosa claridade, vai afastando-a dali sempre que sente o Tono a chegar! Por sua vez o Tono quando chega, já não vê sinais da prima Vera, acende fogueiras para a encontrar e constrói abrigos para se esconder de Berno, recria as fontes que lhe recordam a sua amiga mas logo se afasta assim que o Bento, seu pai, lhe sussurre que o Berno se aproxima com vontade de o apanhar e aniquilar.


Berno na sua austeridade impôs que Gaia não tenha descanso, pois tem de brincar com Brão ou Tono e também com a sua prima Vera, sem os conseguir juntar. Por outro lado, Berno só se afasta de Gaia quando parte na sua caça ao Tono.  Por fim, Gaia ignorando que em Berno existe uma aversão desmesurada ao Tono, adormece cansada nos braços do marido assim que ele regressa da sua frustrada perseguição, despertando do seu sono para brincar com todos novamente.


Por isso se dizia noutros tempos que:
da exuberância rival de Brão ao Tono, só depois da ira em Berno é que a prima Vera volta a Gaia!

ou como se diz agora:
da fartura de Verão-Outono, só depois de ir o Inverno é que a Primavera volta à Terra!



© calcorreando 2016


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A LENDA DA FIGUEIRA



A Lenda da Figueira...
(Texto Original / Ilustrações da Internet)

Conta uma lenda que por aqui vivia um Velho Sábio de quem não se sabe nome nem idade e que este velho cuidava de duas meninas, suas filhas adoptivas, pois que misteriosamente, num dia de tempestade, à sua porta apareceram.

As duas irmãs, embora muito diferentes eram muito bonitinhas, uma simples e carinhosa a outra mais rebelde e caprichosa. Sempre que podiam as meninas gostavam de subir o monte e brincar, trepando rochas e árvores, cantando e rindo, eram alegria nos olhos dos pastores e camponesas que as viam passar. 

O local preferido para brincar, no alto do Monte Mózinho, era num penedio a que chamavam, pela sua forma, do Castelo. No meio desses penedos havia uma Figueira muito velha, de tão velha que o seu tronco enorme, já meio oco, conseguiria abrigar um urso, se ursos por lá houvera!
  

Numa tarde de Inverno em que o sol aquecia o Mózinho, uma menina, num penedo sentada, entoava uma canção de sossegar para a irmã que, mais traquina, se empoleirava numa árvore ali ao lado. Não sabiam porém aquelas meninas que aquela velha Figueira, de tão velha que era, era mágica e escondia um segredo que, para elas, seria terrível, pois a Figueira tinha sido ali colocada para aprisionar uma serpente, uma serpente medonha daquelas enormes como não há memoria de ter voltado a existir, daquelas que engoliam uma pessoa inteira de um só golpe e que outrora espalhara morte e destruição pela terra. Nesse outrora, a aldeia só respirou de alívio quando apareceu por lá um mágico muito poderoso, de tão poderoso que era, que conseguira aprisionar a gigante serpente, fazendo-lhe crescer uma figueira, assim como que por magia e em poucos minutos, saindo pela cauda do bicho, crescendo e criando raízes que enraizaram a serpente, ao rochedo, para sempre.

Como histórias passadas algum dia caem em esquecimento, também já por esta altura, pela aldeia ninguém se lembrava da história, mesmo porque já há muito que as cobras gigantes haviam desaparecido da face da terra e ninguém se lembrava do seu perigo, embora se falasse de que por vezes desaparecia algum pastor sem deixar rastro. Apenas o velho sábio ainda conhecia o segredo e por isso proibira as suas filhas de se acercar ao Penedo do Castelo e à velha Figueira… no entanto todos sabemos como são as crianças, mais dia, menos dia, uma mais atrevida ou a outra mais esquecida, lá fazem aquilo que lhes disseram para não fazer. 

Nessa tarde enquanto a menina cantava, a serpente no seu covil assobiava, música que a menina não sabia de onde vinha mas que a atraía cada vez para junto da Figueira. De tão próxima chegar, acabou por ficar ao alcance do bicho que agarrou a petiz e a aprisionou envolvendo o seu corpo e asfixiando-a lentamente... a outra menina que brincava em cima da árvore avistou a cena e correu pra lá mas ao chegar perto viu que nada podia fazer, pelo tamanho do bicho, e decidiu ir chamar o pai!


A menina correu monte abaixo como se a própria serpente a perseguisse. 

A outra, enquanto a ajuda não chegava, cantava, pois apercebeu-se que sempre que cantava a serpente folgava na força que fazia, o que lhe permitia respirar ao mesmo tempo que a confortava no seu receio de que o pai não chegasse a tempo de a ajudar.

Assim que soube, o velho sábio correu monte acima, como se as pernas de velho fossem de menino, sempre com a esperança de chegar a tempo de evitar uma tragédia. Ele tinha a noção que não poderia usar a força para retirar a filha daquele apuro, por isso teria de fazer o que melhor sabia fazer, usar a sua magia. 

Assim que ao alto chegou, logo à serpente com palavras se atirou, ameaçando-a com a ira da aldeia, dizendo-lhe que se não parasse imediatamente de sufocar a criança iria convocar todos os aldeões e juntos lhe atiçariam o fogo. Depois propôs-lhe um trato – prometeu-lhe fazer uma Poção de Figueira (sem usar os frutos e outras partes daquela Figueira que eram venenosos para aquela serpente, impedida pela magia que a aprisionava de comer os frutos do seu próprio ser venenoso), uma Poção feita com toda a essência da Figueira, o que a deixaria livre daquela prisão para sempre! No entanto a Serpente teria de prometer que deixaria as suas filhas em paz, também para sempre.


A serpente não sabia se aquilo era verdade, mas só de imaginar q poderia deixar aquela árvore para sempre e descer à aldeia pra se banquetear com todos os aldeões – sim, ela não tinha de prometer não comer ninguém, só as filhas, e mesmo essas, depois decidia – só de pensar nisso já lhe crescia água na boca e disse logo que sim, mas que caso o velho não cumprisse com a palavra iria comer aquela e apanhar a irmã. O Sábio anuiu mas pediu alguma paciência, pois a Poção necessitava de um pouco de cada figueira da aldeia e, como tal, seria demorada.

O velho e a filha desapareceram então durante todo o dia e toda a noite. A outra menina, já liberta daquele sufoco, ainda que prisioneira, dormia, enquanto a serpente se mantilha de pestana aberta, bem vigilante, para não ser enganada.

No dia seguinte, bem cedo, apareceu o velho sábio e a filha com um caldeirão cheio de Poção com umas coisas negras a boiar mas que a serpente não distinguira bem o que seria pois estava cheia de sono de ter passado a noite acordada. Cheirou aquilo e sentiu logo o aroma da Figueira. Mas havia um problema, a cobra não conseguia beber! foi aí que o velho lhe explicou que aquelas coisas negras, que via a boiar, eram ratazanas enormes do tamanho de lebres que deveria comer para assim ingerir a Poção. Também a convenceu de que se as engolisse rapidamente, as ratazanas até lhe iriam saber a carne humana. É claro que não deveria ser bem assim, isto do sabor, mas com o sono e vontade que o bicho estava de comer gente, tudo lhe pareceria perfeito naquele momento. 


O bicho estava faminto e desejoso de liberdade por isso apressou o velho a dar-lhe as ratazanas. A cobra ia comendo ao mesmo tempo que sentia a sua cauda a libertar-se lentamente da raiz. O velho ia-lhe dando mais e mais, mas quando ia a meio ameaçou parar se ela não libertasse a filha definitivamente. A cobra percebendo que era verdade e que poderia mesmo libertar-se da figueira, soltou a menina e o velho deu-lhe o resto das ratazanas ensopadas em Poção, esvaziando assim o caldeirão.

A cobra, assim que se viu livre daquela prisão, aproximou-se do velho e disse-lhe: “agora que estou livre, e cumpri a promessa de libertar a miúda, vou-te comer a ti e tornar me eu a serpente mais poderosa e sábia à face da terra”.

Mas assim que se preparava pra engolir o velho sábio de uma só dentada, sentiu que algo a pressionava por todo o seu corpo, lentamente a cobra ia ficando cada vez mais pequena até que parou de encolher. 

O velho pegou-lhe então pela cabeça, olhou-a nos olhos e disse-lhe: “tu não sabias, mas o Poder e a Sabedoria são duas águas que não se misturam, já que, o Poder que conquista a Sabedoria e fica sábio, perde o poder… e a Sabedoria que alcança o Poder e se torna poderosa, olvida o saber! A poção que te dei era a sabedoria que te libertou da Figueira para sempre, mas que também te tirou a capacidade – o poder – de comer os homens. Por isso, de hoje em diante, tu e os teus filhos terão de se alimentar dos ratos que dizimam as culturas dos homens e nunca ireis crescer mais do que um ramo de Figueira pois eu e as minhas filhas caçar-vos-emos”. 

Conta-se que depois desta história nunca mais se viu nem ouviu falar, por aqui, do velho e das duas meninas e que pouco tempo depois apareceram nos céus uns pássaros gigantes a que os aldeões chamaram de águias!… e há mesmo por aí quem garanta já ter visto essas águias a caçar cobras por estes campos!



E foi assim que as cobras desta terra deixaram de ser uma ameaça para os aldeões para passarem a ser uma ajuda contra as ratazanas que, agora, não passam de ratinhos do campo e como diz o povo que é sabido:

enquanto a Águia pairar por Figueira
não haverá Cobra para assustar a Mondadeira,
nem Rato para esvaziar a Eira.

© calcorreando 2016


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Actividades Realizadas em 2015


Por ordem cronológica:


16 de Dezembro - Serras do Porto - Ensaios ao Trilho de Figueira (Take3)

3 de Novembro - Serras do Porto - Ensaios ao Trilho de Figueira (Take2)

6 de Setembro - Serras do Porto - Ensaios ao Trilho de Figueira (Take1)

29 e 30 de Agosto - Serra da Cabreira - Mergulhando pelos Poços de Agra

28 de Junho - Serra d' Arga - Em Busca de Minas Perdidas e Lagoas Encontradas

14 de Junho - Galiza -  Em Busca do Teixedal de Casaio
13 de Junho - P. N. Somiedo - Trilho dos Lagos de Saliência
12 de Junho - Maciço do Ubiña -  Ascenção à Peña Ubiña Grande e à Pequena também

31 de Maio - Serra da Peneda - Calcorreando ao Pedrinho da Peneda/Soajo

9 de Maio - Serra da Cabreira - Caminhada Escolar de Agra à Floresta Encantada

3 de Maio - País Vasco - Calcorreando por Bilbau & Cueva Pozalagua
2 de Maio - País Vasco - Calcorreando no Bosque Pintado, Guernika e Gaztelugatxe
1 de Maio - Cantábria - Calcorreando no Bosque de Sequóias e Gruta "El Castillo"

18 e 19 de Abril - Serra da Cabreira - o "Bosque Marcado" (guia: Rui França)

11 de Abril - Famalicão - Caça ao Tesouro das Eiras (Geocaching) & Árvores Gigantes

4 de Abril - V. N. Cerveira - Calcorreando do Cervo ao Convento pelos Caminhos do Escultor

28 de Março - Serras do Porto - Caminhada Infantil ao Marco do Mózinho

21 de Março - Salreu, Buçaco e Penacova - BioRia, Trilho do Adernal e Moinhos de Vento

7 de Março - Castro Laboreiro - Calcorreando pelo Planalto ao Giestoso (1.345m)

21 e 22 de Fevereiro - Serra da Cabreira - Floresta Encantada & Sequóias

8 de Fevereiro - Marco de Canaveses - Calcorreando em Tongobriga

25 de Janeiro - Serra da Estrela - Calcorreando por Belmonte & Sortelha
24 de Janeiro - Serra da Estrela - Calcorreando pelos Cântaros e Covão d'Ametade

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Actividades Realizadas em 2014


Por ordem cronológica:


27 de Dezembro - Serra do Gerês - Calcorreando com os Dronedários (... é Segredo)

14 de Dezembro - Serra da Peneda - Ascenção das Penameda's

30 de Novembro - Serra do Gerês - Geira Romana com Seis Pontes (ou mais)

2 de Novembro - Serra Amarela - Qual a Côr da Serra Amarela??? (da Ermida à Louriça, mais conhecida por "Onde está o Paulo?")

19 de Outubro - Penafiel - Calcorreando na Rota do Românico... e Pré-Românico

4 de Outubro - Serras do Porto - Calcorreando ao Monte Mózinho... com Magusto

6 de Setembro - Serra do Alvão - Calcorreando pelo Rio Póio até à Cascata XXL

31 de Agosto - Serra da Cabreira - Mergulhando no Poço Negro do Rio Ave
30 de Agosto - Serra do Gerês - Calcorreando à Cascata (Dupla) da Teixeira

13 de Agosto - Serra da Cabreira - Trilho do Poço Azul ou Verde (guia: Rui França)

8 de Agosto -  Sanábria - Calcorreando pelas Três Peñas (Survia, Negra e Trevinca) à Nascente do Tera (17,5kms)
7 de Agosto - Sanábria - Calcorreando pelo Canhão à Vega do Tera (25kms)

2 de Agosto - Chaves - Calcorreando na Raia (Cascata de Segirei e Mergulho no Mente)

27 de Julho - Serra do Soajo - Calcorreando pelas Lagoas do Adrão
26 de Julho - Serra da Cabreira - no Postigo da Candosa com GRUCAMO (guia: Rui França)
25 de Julho - Serra Amarela - Cascata da Ermida ao ritmo do Folk Celta

13 de Julho - Serra da Cabreira - Penedo Furado, Dolmen e Lagoa dos Anjos (guia: Rui França)
12 de Julho - Serra do Gerês - Calcorreando no Topo da Rocalva (apoio: Rocas)

29 de Junho - Auto-Caravanando pela Galiza - Calcorreando no Cabo Home
28 de Junho - Auto-Caravanando pela Galiza - Calcorreando nos Moinhos do Rosal + Loureza

14 de Junho - Serra do Gerês -  Mergulhando em Cela Cavalos
13 de Junho - Montalegre - Há Bruxedo no Ar... com Acampamento

31 de Maio - Serras do Porto - Calcorreando com Bento sem Freiras
                     (recepção ao Clube de Montanhismo de Braga)

25 de Maio - Serra da Cabreira - Canoando no Ermal (apoio: Rui França)
24 de Maio - Serra do Gerês - a "Prenda" da Calcedónia de H&I

17 de Maio - Santo Tirso - Calcorreando pelas Fervenças à Nascente do Rio Leça e Citânia de Sanfins (Paços de Ferreira)

4 de Maio - Picos da Europa - Calcorreando de Regresso a Bulnes pelo Jou del Urriellu
3 de Maio - Picos da Europa - Ascensão ao Torre Cerredo (2.648m)
2 de Maio - Picos da Europa - Calcorreando pela Amuesa ao Refúgio de Jou de los Cabrones

23 de Março - Serra do Soajo - Serrabiscando pelo Soajo (guia: António C. Jorge)

8 de Março - Penafiel - Calcorreando por Boelhe e Luzim (Românico Ma Non Troppo)

1 de Março - Porto - Calcorreando pelas Margens do Douro (Seis Pontes, Sem Pontes)

23 de Fevereiro - Serra da Cabreira - Serrabiscando pelas Minas da Borralha (guia: António C. Jorge)

07 a 11 de Fevereiro - Andaluzia & Serra Nevada - Ascensão ao Refúgio

2 de Fevereiro - Penafiel - Calcorreando no Trilho das Meninas
                          (por Ribeiras e Levadas de Lagares e Figueira)

25 de Janeiro - Serra de Montemuro - Calcorreando pelas Minas de Moimenta & Trilho do Cabrum

11 de Janeiro - Serras do Porto - Calcorreando das Minas ao D'Ouro

domingo, 14 de dezembro de 2014

Subida às Penameda's - Serra da Peneda



Percurso calcorreado com Manuel António, Jorge Louro, Rosa Alves, Jorge Ferreira e Ana
Distância: 16kms aprox.




A Penameda, também chamada de Penameda grande pra vincar a diferença relativamente à Penameda Pequena ali ao lado, a sudoeste, é um daqueles locais não muito conhecidos (dos forasteiros) mas que deixa a sua marca aos que por lá se atrevem a atopar!

Esta foi uma aventura que começou com uma chamada do amigo Rui França uma semana antes, chamada telefónica e chamada de atenção pra aquela meda de rocha que sem a notoriedade de uma Rocalva, se erguia também imponente e sobranceira a uma lagoa da Peneda, seca por estes dias devido às obras de manutenção que por ali decorriam e deveriam estar a terminar. Logo se apontou como próximo destino de actividade do Calcorreando e com o adiamento da ida a Mafra no fim-de-semana seguinte, rapidamente se encontrou uma oportunidade para o fazer!

Depois de vários estudos de possíveis trajectos, optou-se por uma solução que para além de ter em conta o facto de os dias serem muito curtos, permitisse tomar diferentes decisões no local, em função das condições atmosféricas algo instáveis que têm sido apanágio das últimas semanas! Acabamos por iniciar o trilho em S. Bento do Cando e não na Gavieira que teria sido a opção escolhida caso estivéssemos com dias mais longos ou tivéssemos encontrado céu limpo no início da manha, algo que também não aconteceu. Assim, a primeira parte foi feita com, relativamente, boa visibilidade para os vales mas com os cumes ocultos em nuvens e nevoeiro... Já depois de subir o maciço e ao passar por perto da Penameda Pequena, deixando para trás o vale do Rio Pomba (que a montante se chama Milharas) em direcção à Chã do Monte, eis que se abrem as nuvens e se destapa por completo a paisagem, situação que se iria manter durante bastante tempo, enquanto calcorreávamos pelo planalto, descobríamos um lago que afinal já tinha água, novamente, ou observávamos que as reparações da represa deixavam um pouco a desejar pois já havia muita água a sair pelas juntas das pedras. Só aquando da aproximação para a subida à Penameda Pequena é que as nuvens voltaram a invadir os cumes e como tal a subida a esta pequena foi feita no meio do nevoeiro.

Bem, eu disse pequena mas não disse fácil, pois que se apesar do acesso lá acima não apresentar grandes dificuldades, o facto de haver zonas muito molhadas devido às recentes chuvadas e a inclinação de certas passagens poderiam só por si demover muitos caminheiros. Já pra os mais afoitos que não se deixassem intimidar com isso a Pequena tinha ainda mais um trunfo e uma prova para lhes dar a superar, é que nos últimos 3-5m de altura havia que subir um degrau, aí com uns 2 metros, para daí sim poder chegar ao seu ponto mais elevado, registado pelo GPS nos 1.148m, embora a carta militar lhe atribua menos 12m (1.136m).



Aqui foi necessária a ajuda de uma escadinha humana e de um pouco de técnica de subida entre-paredes para ultrapassar este obstáculo! Lá em cima, apesar das nuvens, ainda deu para olhar para baixo e ver aquilo que havia nas imediações, além das várias piscininhas que se encontravam no cume desta roca!



Dada a dificuldade da subida e a falta de visibilidade para longe, apenas a Rosa optou por trepar, aproveitando-se da sua estatura pra conseguir passar entre duas rochas e aceder a um local onde a trepada se fazia sem recurso a escadinhas! Algo que não era possível aos restantes, a menos que passassem de rastos! ;)

Com o treino de subida a uma Penameda, estávamos preparados para enfrentar a verdadeira Penameda! A aproximação é feita rodeando esse maciço rochoso (com uma proeminência topográfica superior a 260m) o que permite apreciar a sua imponência e a inviabilidade de alcançar o seu cume por outro local que não o que está traçado e marcado por mariolas por aqueles que antes de nós se aventuraram nessa maluquice de trepar montes e rochas desta magnificência!

Desde a lagoa, não é preciso andar mais de quilometro e meio, pelo PR da Peneda, até ao local em que temos de derivar à direita para iniciar a trepada. Depois de um tramo inicial de forte pendente mas sem dificuldades de maior, surge então a verdadeira muralha onde é necessário encontrar a brecha que nos facilita a entrada da fortaleza… nestas alturas os registos de GPS não nos ajudam muito, sabemos que estamos perto, mas não sabemos como, se por cima ou por baixo duma rocha, através duma abertura entre 2 rochas ou se temos de arranjar umas fissuras para trepar ;)
Neste caso, primeiro vimos uma passagem em túnel, mas como estava com um belíssima poça de agua, preferi contornar, o que se mostrou assertivo. Depois apareceu outra parede por detrás da primeira e aqui surge a dúvida maior já que da conversa com o Rui ficara com a ideia de que haveria um local onde seria necessário trepar entre-paredes, o que aconteceria se optasse pelo caminho da direita, mas aqui a escalada seria de cerca de 3m o que me parecia um pouco exagerado para a descrição que me fora dada, como não tinha a certeza de que o caminho por aí fosse dar a algum lado, de utilidade, optei por procurar uma alternativa mais viável, pois caso contrário o grupo ficaria já partido por ali, pois haveria com certeza quem dispensasse tamanho entretimento! ;)

Regressei pois ao contacto com os demais e tentei pela esquerda, sendo que neste caso era necessário descer alguns metros para depois contornar à direita e subir trepando por degraus de rocha e tufos de terra e urze, degraus bem acentuados que criaram em alguns membros o receio de não serem capazes de fazer tal trepada, no entanto sabia que o pior estava ali e que quem ali estava tinha capacidade para muito mais, pelo que rapidamente se ultrapassou o impasse e assomamos ao topo, o qual não aparece de imediato pois é necessário ainda percorrer um pouco do cabeço rochoso lá no alto, ainda que já com pouca pendente, até se chegar ao ponto mais alto, registado nos 1.268m e, neste caso, confirmado pelo GPS!

Com o objectivo principal alcançado, faltava ainda um outro objectivo, não menos importante, que era o de conseguir ver algo! Algo que se nos afigurava difícil pois desde que iniciámos a aproximação à Penameda que a mesma desaparecera no nevoeiro e só havia visibilidade em cerca de uma centena de metros à volta, no entanto, como estávamos a meio do dia e já por diversas ocasiões o céu se nos tinha revelado em azul celeste, acreditava que uma espera poderia revelar-se frutuosa, o que acabou por acontecer, apesar da impaciência dos restantes, não porque eu fosse mais paciente que eles, mas porque era o único que tinha a mochila com comida ali em cima, já que os restantes optaram por trepar sem mochila e a barriga já há muito que dava horas :D

Acabamos por ver, inicialmente, um pouco das imediações por entre nuvens e, passado um bom bocado, foi possível ver mesmo o azul celestial, as eólicas, a lagoa e o Lima, ou seja, praticamente em todas as direcções, sendo que só o Outeiro Alvo ficou sob um monte de nuvens, ocultando-nos a sua torre que só iriamos poder observar, já na descida, a caminho da Bouça dos Homens.

Depois de ultrapassada a parte mais difícil da jornada, ou seja, a destrepada e já na posse das mochilas, passou-se à acção, com o almoço de confraternização e partilha, com direito a cafezinho com cheirinho, diga-se que já merecíamos :)

Como o Outeiro Alvo se mostrava irredutível em não se deixar mostrar e o dia já ia adiantado, optou-se por deixar esse cume para outro dia e no regresso aproveitamos para conhecer a Bouça dos Homens, a Mamoa do Batateiro (já conhecida do J.Louro que nos explicou a origem deste topónimo) e a paisagem vista a partir da Cabeça do Cando, antes da descida para o seu S. Bento, local que ainda hoje é utilizado como Branda, segundo nos afiançou, no local, um seu habitante…

Brevemente actualização com fotos  ;)